Text 4 Aug What are you afraid of?

Medo. Às vezes paro para pensar e, quando vou muito longe, tenho medo.

Eu sou cheio de incertezas. Mas acho que, no fim, o meu medo é só um. O medo do desconhecido, em qualquer forma.

Nunca quebrei um osso. Tenho medo de quebrar algum osso, nunca exagerei demais em qualquer atividade física e evito entrar em jogos que exigem contato físico (leia-se empurrões, chutes, pontapés. etc). E esse medo é do desconhecido. Medo da dor que quebrar um osso pode proporcionar.

Tenho medo do escuro. Inicialmente, eram espíritos. Atualmente, tenho medo do escuro porque o escuro é o estado mais claro da solidão completa mas eu chego em solidão mais tarde. O medo do escuro também é medo do desconhecido. O que será que se encontra a um palmo do meu nariz se eu não posso ver?

Tenho medo da morte. Por mais que tente me confortar, dizendo para mim mesmo que o fim do corpo não é o fim da vida, tenho medo da morte. A morte e o desconhecido eterno.

Tenho medo da solidão, e acho que foi esse medo que me estimulou a escrever sobre o assunto. A solidão é traiçoeira; nunca se sabe se se está sozinho ou não, até o momento em que realmente se precise de alguém. Tenho medo do futuro, e talvez medo de um estado de solidão inteira, da solidão que não está mascarada ou subentendida. Do vazio.

Mas no momento o meu maior medo se resume a atitudes. Atitudes que conduzem ao futuro, sobre o qual eu já falei. Atitudes de resultado desconhecido, que levam ao desconhecido. Só as causas são claras. E eu tenho medo do risco.

Sobre como devo me comportar; sobre como reagir a determinada situação; sobre saber quando falar e quando ouvir (ou quando simplesmente calar). Medo de entrar de cabeça em algo que eu desconheço. E acho que pela primeira vez na vida eu tenho medo de perguntar. Medo da resposta, que é e sempre será desconhecida, se não for antecedida por uma pergunta. Eu tenho medo da não-reciprocidade, e por isso prefiro ficar neutro do que tomar uma posição e me decepcionar mais uma vez. Por enquanto. It’s a daily anthem, e eu vou viver um dia de cada vez. E esperar passivamente por uma atitude que me prove qualquer coisa. Que não me deixe no desconhecido. Que me incentive a tomar uma atitude. Ação e reação. No meu caso, já se foi o tempo em que optava pela primeira.

Eu tenho medo do desconhecido. Os seres humanos me assustam. E acho, honestamente, que tenho medo de mim.


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